Lesados pela inobservância da lei, professores manifestam insatisfação para com prefeito de Roteiro

Concurso público municipal de Roteiro volta aos holofotes e se torna uma verdadeira novela da vida real.

Por Marques Maciel 25/06/2019 - 23:21 hs
Lesados pela inobservância da lei, professores manifestam insatisfação para com prefeito de Roteiro
Lesados pela inobservância da lei, professores manifestam insatisfação para com prefeito de Roteiro

 

Desde que seu projeto foi enviado à Câmara Municipal, o concurso público realizado pela prefeitura municipal de Roteiro continua dando muito o que falar.


Vale muito a pena relembrar, vamos lá?

 

Em dezembro de 2016, o prefeito de Roteiro, Wladimir Brito, a pedido do Ministério Público Estadual, enviou à Câmara de Vereadores o projeto de lei para o lançamento de edital de concurso público contendo apenas oitenta e nove (89) vagas distribuídas em pouquíssimos cargos, que, em sua maioria, destinavam-se às pessoas que possuíam nível superior.

 

Isso causou uma polêmica sem tamanho, que se originou a partir de três pontos a considerar:

 

 

Ponto 1: Número de vagas.

 

As oitenta e nove vagas foram de uma estranheza notável por parte da população. Era inadmissível a quantidade de vagas ofertadas no projeto devido ao fato de, à época, ser manifesto que a máquina pública estava superlotada de funcionários contratados.

 

A bem da verdade foi uma afronta, um verdadeiro tapa na cara da sociedade roteirense, pois o prefeito de Roteiro, Wladimir Brito, deixou transparecer sua indisposição em ver as pessoas efetivadas, ou seja, livres da vergonhosa troca de favores quando na busca por um emprego na administração pública.

 

Ponto 2: Número de cargos.

 

Muito mais sutil no que tange à indisposição do prefeito de Roteiro, em ver o povo livre das amarras da prestação de serviço, a quantidade de cargos gerou um estrago muito maior.

 

O projeto do edital não contemplava a maioria dos cargos em que estavam lotados os funcionários contratados. Ou seja: Os cargos que abrigavam a maior quantidade de prestadores de serviço não seriam disponibilizados quando do lançamento do edital.

 

Ponto 3: Nível de escolaridade exigido.

 

Neste ponto se encontra a maior prova de que ele não tinha o menor interesse em ver o povo de Roteiro efetivado no serviço público, pois sabia muito bem que menos de um porcento da população roteirense usufruía e ainda usufrui desse nível de escolaridade.

 

 

Foi de uma crueldade sem par. 

 

Mas, a maioria dos vereadores não admitiria tamanho mal, ainda que temporariamente.

 

Com apenas três votos favoráveis contra quatro que se opuseram à sua aprovação, o projeto foi derrubado. 

 

Resultado: O lançamento do edital estava impedido. 

 

Às pressas e diante da derrota na Câmara Municipal, o excelentíssimo prefeito, Wladimir Brito, jogou baixo e determinou que cada secretário convocasse uma reunião com seus funcionários. Os secretários foram incumbidos de convocá-los a comparecer à sessão subsequente àquela onde o prefeito perdera na aprovação do projeto. 

 

Sob a alegação falaciosa de que os vereadores tinham o objetivo de ver os funcionários contratados demitidos no pós-resultado do concurso, ao disponibilizar os cargos dos mesmos e perante a falsa justificativa de que muitos concorrentes de outros municípios poderiam ocupar seus lugares, o prefeito Wladimir Brito escancarou seu intento de permanecer com os prestadores de serviço sob seu domínio e passíveis de demissão.

 

 

Todavia, o inacreditável aconteceu: Câmara Municipal lotada como nunca em toda a sua história, povo com a cabeça feita clamando pela manutenção do projeto e contrário aos vereadores que recuaram e fizeram a “vontade do povo”.

 

O povo foi à Câmara Municipal exigir a não-realização de concurso público para os cargos em que prestava serviço, isto é, preferiu ficar preso a livre para sempre.

 

O edital sem alterações em seu projeto foi lançado no segundo semestre de 2017 e as provas realizadas em janeiro de 2018. O resultado das provas objetivas para os cargos de professor veio em fevereiro e o resultado geral em abril do mesmo 2018.

 

As nomeações e posses foram realizadas quase um ano após o resultado geral. Vieram em primeiro de fevereiro de 2019 e, clarividentemente, a quantidade de pessoas que residem em Roteiro, presentes na cerimônia de posse para obtenção delas, foi ínfima, diminutíssima.

 

Ou seja: o objetivo principal do projeto do concurso estava logrado, alcançadíssimo: as pessoas de Roteiro permaneceriam instabilíssimas no serviço público.

 

Mas, especificamente para os cargos de professor, há pessoas que sequer assumiram e outras que optaram pela desistência; é exatamente aqui onde se aloja o xis da questão.

 

 

As professoras Danielly Tenório Guimarães de Araújo e Analice da Conceição Leandro da Silva, que figuraram nas primeiras colocações para os cargos de professor de História e Língua Inglesa respectivamente, não chegaram a assumir, mas os segundos colocados ainda não foram convocados para as devidas assunções.

 

Da mesma maneira, os professores Carlos Henrique de Jesus Santos, Thais de Lima Guimarães e Fabrícia Bezerra da Silva obtiveram as primeiras colocações nos cargos de professor de Matemática, Educação Física e Língua Portuguesa respectivamente, assumiram, mas pediram exoneração dos cargos, e seus respectivos suplentes também não foram convocados.

 

Já o professor Adalton dos Santos Silva, que concorreu para o cargo de professor de Ensino Fundamental Séries Iniciais, obteve a segunda colocação, também não assumiu e seu suplente imediato aguarda ansioso pela convocação.

 

É notório que os alunos dos professores acima mencionados não estão com as referidas disciplinas descobertas, ou seja, as turmas dos professores desistentes ou daqueles que sequer assumiram não estão sem aulas, e isso nos mostra claramente que a lista de espera do concurso não está sendo obedecida.

 

Em outras palavras: há professores que não estão na lista de espera do concurso lotados nas disciplinas supracitadas, ocupando lugar daqueles que lutaram para conseguir a tão sonhada efetivação no serviço público.

 

 

Mais especificamente, a lei não está sendo observada.

 

A Coluna Xeque-Mate entrou em contato com a assessoria de comunicação do prefeito Wladimir Brito, requerendo informação acerca da inobservância da lei no que se refere ao cumprimento do resultado do concurso, via convocação, observando a ordem estabelecida pela lista de aprovados, mas, até a publicação desta matéria, não obteve resposta.

 

Não se sabe quando se darão as segundas chamadas para os cargos aqui mencionados, mas sabe-se que a justiça, pelo menos até o momento, a depender do prefeito Wladimir Brito, não está sendo feita.

 

Cientes do caso e dispostos a tomar as medidas cabíveis junto à Justiça, muitos professores prejudicados com a situação mantiveram contato com a Coluna Xeque-Mate e relataram a insatisfação para com o prefeito Wladimir.

 

É vergonhosa e até repugnante a injustiça que os professores estão sendo submetidos.

 

Uma nova audiência com o Ministério Público Estadual está marcada para a próxima quarta-feira, 03, para tratar, mais uma vez, do polemicíssimo concurso de Roteiro.

 

Oxalá a Justiça, com inicial maiúscula, intervenha e, desta vez, faça valer a justiça de inicial minúscula.

 

É o que esperamos!!








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