Distribuição de colírio para tratamento do glaucoma é suspensa em Maceió

Secretaria diz que reunião com as clínicas prestadoras do serviço está agendada e que reavaliação do diagnóstico será feita em todos os beneficiados.

Por Edilane Almeida com G1 07/02/2018 - 09:43 hs
Foto: Reprodução/TV Gazeta


Suspensão da distribuição do colírio usado no tratamento do glaucoma em Maceió surpreendeu os pacientes atendidos pelo programa da prefeitura nesta terça-feira (6).

 

Entre os prejudicados está a lavadeira Josinete Maria dos Santos. Ela descobriu que tem glaucoma, doença nos olhos que pode levar a cegueira há cinco anos durante um mutirão de serviço de saúde.

 

Após o diagnóstico, Josinete passou a ser assistida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As consultas são realizadas no período de três em três meses em uma clínica conveniada, que recebe dinheiro do governo federal, repassado pela prefeitura de Maceió.

 

“Veio uma moça que trabalha lá [na clínica] e disse que havia suspendido e que não sabia quando retornaria”, relatou.

 

A Secretaria de Saúde de Maceió (SMS) diz que no ano passado o Ministério da Saúde fez um corte de 80% na verba para tratamento de glaucoma, e que as clínicas foram informadas para que se adequassem à nova realidade.

 

“Esse teto caiu de R$ 1,3 milhão para R$ 270 mil mensalmente. Esse corte foi dado em cima de um estudo do Ministério da Saúde feito em todo o país, que resultou que o índice de glaucoma em Alagoas é muito acima da média brasileira”, explicou o diretor de regulação, controle, avaliação e auditoria, Deraldo Lima de Souza.

 

Reavaliação

 

Ainda segundo a secretaria, uma reunião com as sete clínicas prestadoras de serviços vai acontecer nesta quarta (7) para saber quem são os pacientes com glaucoma. Já no dia 19 de fevereiro vai ser feito o recadastramento no PAM Salgadinho.

 

“Nós vamos fazer o recadastramento de todos os pacientes portadores de glaucoma que são atendidos em Maceió. Depois disso, nós vamos reavaliar esses pacientes para identificar quem realmente tem glaucoma. Feito isso, vamos redirecionar os pacientes às clínicas e garantir o tratamento independente do valor federal passado para Maceió. Vamos brigar para que haja correção no repasse financeiro”, salientou o diretor.

 

Caso o tratamento não seja executado, as clínicas podem ser penalizadas pela suspensão. “Poderemos até convocar o Ministério Público Estadual e Federal para que tomemos uma decisão sobre a suspensão. O que a secretaria pudesse fazer para que os prestadores não fossem pegos de surpresa foi comunicar o que aconteceu com a portaria referente”, explicou.

 

O diretor disse ainda que o pagamento de dezembro foi feito integralmente aos fornecedores mesmo com a mudança na portaria e que os pacientes podem procurar a SMS, no bairro do Centro, no horário de 8h às 14h para receber orientações sobre a distribuição do colírio.