Chá de Memória debate política de cotas em cursos de Medicina em universidades

Evento contou com a doutora em Educação pela Ufal Jusciney Carvalho

Por Redação com Agência Alagoas 28/03/2019 - 16:44 hs
Foto: André Palmeira


A 30ª edição do tradicional Chá de Memória, evento promovido pelo Arquivo Público de Alagoas (APA) - órgão pertencente ao Gabinete Civil – levou à sede do órgão, em Jaraguá, na quarta-feira (27), um amplo debate sobre os 14 anos de políticas afirmativas e as cotas para negros nas universidades.

 

Nesta edição, a convidada foi a pedagoga, mestra em Desenvolvimento Humano, doutora em Educação e atuação no curso de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Jusciney Carvalho Santana, com o tema “Tem preto de jaleco branco? Reflexões sobre as políticas afirmativas na educação superior e a persistência das desigualdades sociais e técnico-raciais na formação médica em Alagoas”.

 

Na ocasião, Jusciney Carvalho lançou o livro homônimo ao tema da palestra. “Foi um debate bastante instigante e que abre a possibilidade de ampliar cada vez mais essa discussão, uma vez que, segundo uma pesquisa que fizemos, a educação superior ou as universidades ainda continuam muito excludentes no que diz respeito à inclusão de negros. Mas não só isso, permanece elitista quando ampliamos esse olhar para os índios, por exemplo”, destacou Jusciney Carvalho, que durante sua palestra fez uma abordagem do processo histórico sobre o elitismo educacional no Brasil desde o Descobrimento.  

 

Mais novidades

 

Para a superintendente do APA, Wima Nóbrega, o debate é um dos objetivos do Chá de Memória. “Acredito que cumprimos mais uma etapa deste evento que desde outubro de 2016 traz mensalmente encontros com personalidades de vários segmentos, abordando temas das mais diversas áreas que vêm despertando o interesse de um grande público dos mais variados níveis do conhecimento”, ressaltou a superintendente, que anunciou durante o evento um novo projeto do órgão, que homenageará personalidades do cotidiano do povo alagoano através do Projeto Alagoanidades. “Esse projeto tratará de personagens e ações do cotidiano do nosso Estado, completando o Chá de Memória, que traz as questões mais históricas”, disse.  

 

Wilma Nóbrega ressaltou que a repercussão do Chá de Memória resultou em uma agenda fechada até o próximo ano, com parceiros e profissionais do poder público e privado interessados em tratar sobre religiosidade alagoana, gastronomia, arquitetura, música, artes plástica. Além de abrir as portas para a sociedade, o APA também se moderniza para oferecer melhores serviços aos pesquisadores e caminhar par e passo com entidades afins.

 

Avanços

 

Recentemente, por conta dos 57 anos completados pelo APA, houve o lançamento do catálogo de um dos acervos fotográficos mais valiosos com as imagens do fotógrafo Luiz Lavenére, cujos negativos em vidro são únicos e pertencem ao Arquivo Público, agora, disponíveis para os alagoanos.

 

Além de promover debates e discutir os aspectos históricos de Alagoas, o Arquivo Público também avançou no sentido tecnológico e de abertura da pesquisa, com um avanço no fomento à pesquisa e a implementação de uma política permanente de conservação, preservação e restauro de seu acervo.