Braskem estuda alternativas para a obtenção de sal-gema

Por redação com Valor | www.AlagoasNT.com.br 13/05/2019 - 11:08 hs
Foto: Sofia Sepreny


A Braskem informou na tarde desta quinta-feira, 9, que iniciou os procedimentos de paralisação da atividade de mineração de sal-gema em Maceió (AL) e, consequentemente, da produção de cloro-soda e dicloroetano (EDC, em inglês), que usam esse sal como matéria-prima, nas fábricas instaladas em Pontal da Barra, bairro da capital alagoana.

 

"Além disso, a companhia está avaliando os impactos na planta de PVC em Marechal Deodoro e nas suas plantas do Polo de Camaçari/BA, uma vez que estão integradas na cadeia produtiva", informou ao site Valor, em fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

 

Sobre o potencial impacto dessa decisão no resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da Braskem, o presidente da Braskem, Fernando Musa, afirmou que ainda não há uma estimativa, já que o processo é complexo e recente.

 

"Estamos comprometidos com uma série de ações de suporte à população que foi afetada e vamos continuar com essas iniciativas. Nossa preocupação principal e prioridade é a segurança das pessoas", disse o executivo, durante teleconferência com jornalistas sobre os resultados do primeiro trimestre. Musa lembrou também que a Braskem vem conduzindo estudos na região desde março do ano passado, quando foi registrado um tremor de terra em Maceió.

 

Estudos conduzidos por especialistas internacionais e empresas especializadas foram compartilhados com as autoridades e, o primeiro relatório oficial sobre o assunto foi divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), associando o surgimento de rachaduras em imóveis e vias em áreas próximas à mineração da Braskem a essa atividade.

 

Por outro lado, Musa disse que a petroquímica já está estudando possíveis alternativas para a obtenção de sal-gema, usado na produção de cloro e soda, caso haja alguma decisão ou determinação de suspensão da exploração do sal em Maceió.

 

"Primeiro precisamos entender o laudo técnico, para avaliar a situação. Em função disso, já estamos estudando possíveis alternativas. Do ponto de vista técnico, as plantas de cloro-soda e de dicloroetano precisam do sal que vem da mineração. Mas existem operações similares à nossa em outros lugares, que trazem o sal de outras maneiras que não a mineração à pequena distância", afirmou, acrescentando que a operação da companhia na Bahia recebe o sal extraído em Alagoas.

 

"Então, existem alternativas técnicas que estão sendo avaliadas e vão depender do diálogo com a CPRM [Serviço Geológico do Brasil] e a Agência Nacional de Mineração", comentou Musa.

 

Conforme o executivo, a possível parada da atividade de mineração de sal-gema teria impacto imaterial nos negócios da companhia. "O negócio de vinílicos representa entre 3% e 5% do resultado da companhia. É relevante, mas não é algo que seria considerado material o ponto de vista do resultado global. O importante é entendermos melhor para ver como endereçar", acrescentou.

 

Musa disse também que a companhia avalia alternativas para manter o suprimento de clientes, entre as quais ampliar as importações. Segundo o executivo, importar soda cáustica e EDC é um procedimento normal para a empresa. "Importar soda cáustica e EDC é algo normal para a Braskem, e será fácil. Levar o sal-gema para Alagoas é diferente e pode tomar algum tempo se a decisão for essa", afirmou. Na fábrica de Camaçari, acrescentou, já existe estrutura para o recebimento de sal-gema extraído em Alagoas, o que facilita o suprimento por outras fontes.

 

Inicialmente, o mercado americano aparece como a melhor alternativa logística para importação desses insumos, mas a companhia também vai avaliar outras origens se os custos forem competitivos. "Certamente vamos aumentar as importações para garantir o abastecimento de nossos clientes", afirmou.

 

Afundamento de três bairros

 

Relatório apresentado na quarta-feira pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) associou o afundamento do solo e o surgimento de rachaduras em imóveis e vias de três bairros de Maceió à extração de sal-gema pela Braskem naquela região.

 

O Ministério Público Estadual (MPE) e a Defensoria Pública de Alagoas movem ação contra a petroquímica, pedindo o bloqueio de bens com vistas à indenização das famílias atingidas. Após a divulgação do laudo, o procurador-geral de Justiça de Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça, disse que MPE e Defensoria iriam ratificar o pedido de bloqueio de R$ 6,7 bilhões da Braskem e pedir a paralisação das atividades de mineração da companhia.

 

"Em função dos desdobramentos decorrentes da divulgação do Relatório n.1 pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), [a Braskem] iniciou, seguindo os padrões de segurança aplicáveis, o processo de paralisação da atividade de extração de sal e da consequente paralisação das fábricas de cloro-soda e dicloretano" de Maceió, diz o fato relevante.

 

A companhia reitera que vem colaborando com as autoridades na identificação das causas dos eventos geológicos com apoio de especialistas independentes e está comprometida com a implementação de soluções. "A companhia analisará os resultados apresentados bem como as medidas cabíveis a respeito do assunto", acrescentou.