Campanha Novembro Roxo chama atenção para nascimento de prematuros

Somente este ano, 3.690 bebês nasceram antes do tempo previsto em Alagoas

Por Gazetaweb | www.alagoasnt.com.br 02/12/2019 - 07:58 hs
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Além do azul, o mês de novembro ganhou também a cor roxa, que sensibiliza a população sobre o nascimento de bebês prematuros, aqueles que nascem antes do tempo previsto. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), em Alagoas, somente neste ano, 3.690 bebês nasceram com menos de 37 semanas de gestação e, por isso, a campanha - que acontece em todo o País - visa promover diversos cuidados, em especial para mulheres, para que tenham uma gestação segura.

 

Sandreane Maria Vieira, por exemplo, é mãe de primeira viagem, mas o seu percurso gestacional terminou antes do tempo e de um jeito inesperado. Ela teve pré-eclâmpsia e o seu bebê nasceu com 26 semanas, o que equivale a seis meses de vida. "Passei 14 dias no hospital, tentando segurar o bebê por mais tempo, mas chegou a um certo ponto em que a minha saúde estava em risco e a do meu filho também", falou ela, que está internada na Maternidade Santa Mônica, referência no atendimento a gestantes de alto risco no Estado.

 

A recuperação dela, no entanto, está indo bem. O recém-nascido Everaldo Levy veio ao mundo com 970 gramas e, após um mês de internação na unidade hospitalar, já pesa 1,5 kg. "É a fé que nos sustenta, por isso que a saúde dele está progredindo. Vamos sair daqui vitoriosos".

 

Também internada na Santa Mônica, Gerlânia Augustinho vive o desafio de cuidar de um bebê prematuro. Faz dois meses que ela acompanha a evolução do seu filho, Carlos Henrique. Contudo, a falta de uma assistência médica foi uma das causas do parto antes da hora da gestante."Se eu tivesse feito o pré-natal, acho que teria segurado o meu filho mais um pouco, pois estaria sendo acompanhada por médicos e enfermeiras. Eles teriam me orientado e tirado as minhas dúvidas. Sem falar que não tive uma alimentação regularizada", expôs a jovem.

 

A pediatra Januse Barros destacou algumas das causas mais comuns de prematuridade. "Uma gestação geralmente dura de 37 a 42 semanas. Deste modo, todo bebê nascido cuja a gestação tenha durado menos de 37 semanas completas é considerado prematuro, e o que mais causa essa prematuridade é a gravidez de risco, hipertensão, gravidez antes dos 20 anos de idade, infecções congênitas, má-formação do bebê, entre outras", explicou.

 

Dados do Ministério da Saúde (MS) mostram, no entanto, que a cada dez bebês que nascem no Brasil, um é prematuro. A Sesau registrou 3.690 casos em 2019, já, em 2018, 4.545 foram contabilizados. Esses bebês geralmente nascem com baixo peso, problemas respiratórios e pouca imunidade. Por isso, precisam de atendimento especial. Na maternidade Santa Mônica, é na UTI Neonatal que eles têm a chance de sobreviver. Do começo deste ano até outubro, a unidade hospitalar atendeu 450 bebês prematuros. Entretanto, os cuidados com os recém-nascidos não é uma tarefa fácil, mas com empenho da equipe médica e apoio das famílias as chances de cura se multiplicam.

 

Por fim, a pediatra Januse Barros pontua os cuidados especiais que se deve ter antes da gestação e após o nascimento do bebê prematuro. "Um acompanhamento de pré-natal adequado, ultrassom e avaliação periódica, orientações antes e depois da gestação, são indispensáveis para uma gravidez sem intercorrência".

 

Mortalidade infantil cai no estado, mas ainda preocupa

 

Em Alagoas, a taxa de mortalidade infantil apresentou uma queda significante nos últimos dez anos, passando de 19,17 óbitos por 1.000 nascidos vivos em 2009 para 12,39 óbitos em 2018, o que representa uma redução de 35,36% nesse período. Em relação ao panorama nacional e da região Nordeste, o Estado apresentou o maior declínio de 2009 a 2017, com queda de 29,90% na taxa de mortalidade infantil, enquanto que no Brasil essa redução foi de 16,23%.

 

Segundo a coordenadora do Núcleo da Saúde para a Primeira Infância da Sesau, Alessandra Viana, de um modo geral, o declínio da mortalidade infantil foi significante tanto para os óbitos infantis neonatais (0 a 27 dias de vida) quanto para os óbitos infantis ocorridos no período pós-neonatal (28 a 364 dias de vida). "A redução das mortes em crianças de 28 a 364 dias de vida foi, aparentemente, a que mais impactou no comportamento de queda da taxa de mortalidade infantil, uma vez que sua redução entre 2009 e 2018 foi da ordem de 47,87%". expôs ela.

 

Para a especialista, a redução da mortalidade infantil deve ser encarada como um objetivo constante, a partir de ações continuadas que fortaleçam a assistência materna e infantil, que vai desde o pré-natal com estratificação de risco até o planejamento reprodutivo.

 

Alessandra Viana disse, no entanto, que faltam em Alagoas investimentos especiais na qualificação da assistência ao parto e ao nascimento, além de um olhar ampliado sobre a infância desde a fase intrauterina, por meio de uma assistência pré-natal adequada, até o período após a alta da maternidade - especialmente na primeira semana de vida.

 

Sendo assim, diferentes ações devem ser desenvolvidas, incluindo a promoção de saúde sexual e reprodutiva; qualificação dos serviços de pré-natal, em especial da assistência a gestantes de alto risco; qualificação da assistência ao recém-nascido e à criança na Atenção Primária à Saúde, bem como à criança de risco nos diversos níveis de atenção; aprimoramento da investigação dos casos de óbito e qualificação profissional quanto a assistência à gestação, parto, nascimento e infância.

 

Ela acrescenta que investimentos para que as futuras mães tenham um pré-natal de qualidade deve ser uma prioridade no Estado. "Estamos atuando para desenvolver ações voltadas para a qualificação da assistência do pré-natal de risco habitual e alto risco, tanto no âmbito da Atenção Primária à Saúde - atribuição dos municípios - quanto da Atenção de Média Complexidade, que constituem medidas potenciais para a redução das mortes evitáveis em menores de um ano", disse.

 

O presidente do Cremal, Fernando Pedrosa, avalia que o acesso ao sistema de saúde melhorou em todo o País, mas, em Alagoas, é preciso investir no atendimento para garantir mais qualidade. "É preciso aprimorar os investimentos para enfrentar as causas que determinam as mortes. É necessário, também, ter mais atenção com os profissionais que estão mais ligados aos cuidados com a gestante, que passam mais informações às mulheres", citou ele. Ainda segundo ele, o não contato com o médico durante o pré-natal prejudica a saúde tanto da mãe quanto do bebê. "As gestantes têm que passar por consultas periódicas previstas, pois, se for detectado qualquer fator de risco, terá seu tratamento iniciado com urgência. Caso isso não aconteça, teremos problemas".