Auditoria aponta falhas na distribuição de medicamentos de alto custo em Alagoas

CGU analisou 11 estados brasileiros e apontou grande desperdício de remédios caros

Por Edilane Almeida com Bom dia Brasil 30/08/2017 - 10:52 hs
Foto: Bom dia Brasil/TV Globo


Alagoas está entre os 11 estados brasileiros em que uma auditoria da Controladoria Geral da União (CGU) apontou o desperdício de remédios de alto custo para pacientes com doenças crônicas. Pacientes com doenças renais, por exemplo, sentem dificuldades de encontrar os medicamentos pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nas farmácias. 

Uma reportagem do Bom Dia Brasil, exibida nesta quarta-feira (30), mostrou dados do relatório da CGU, depois de uma auditoria federal realizada entre 2014 e 2015. O aposentado Guilherme Pradines, que tem a Síndrome Nefrótica Crônica, relatou à reportagem que já fez transplante dos rins e faz hemodiálise, mas não encontra o medicamento que precisa para seguir com o tratamento em nenhuma farmácia de Alagoas.

"Toda vez que a gente procura, é a mesma coisa. Dizem que está faltando remédio, que não tem previsão de chegar, ou que está no setor de compras. Sempre a mesma resposta", diz o paciente. 

De acordo com a CGU, milhares de medicamentos de alto custo estão, literalmente, sendo jogados no lixo. Isto porque muitos remédios são descartados ou porque estragam ou porque são armazenados de forma inadequada, antes de chegar a quem realmente precisa. 

A situação coloca em risco a vida de milhares de brasileiros que possuem doenças graves e não podem custear o tratamento. Na Bahia, por exemplo, quase 300 mil medicamentos vencidos foram jogados fora sem nunca ter passado pelas mãos dos pacientes. O desperdício causou um prejuízo de R$ 3,5 milhões.  

No Distrito Federal, a auditoria apontou que mais de seis mil remédios vencidos ou armazenados fora da temperatura adequada foram descartados. Os pacientes relatam à reportagem do Bom Dia Brasil, que uma das alternativas encontradas por eles para conseguir os remédios de alto custo, é contar com a solidariedade de outros pacientes que compartilham os produtos que conseguiram. No Piauí, foram encontradas duas prateleiras interditadas com medicamentos vencidos. 

Segundo o secretário de Controle Interno da CGU, Antônio Carlos Leonel, os diversos problemas encontrados ocorrem por falta de planejamento dos estados ao efetuar os pedidos, compras, armazenamentos e distribuição dos remédios. Além disso, a análise do órgão federal aponta que houve falha também do Ministério da Saúde na fiscalização das secretarias estaduais. 

"Alguns estados não faziam o planejamento. Alguns pedidos eram feitos de forma 'soluço', conforme vinha uma necessidade. Não percebiam que o adicional que pediam ia sobrar no final do ano, porque não tinha o casamento entre a necessidade e o que estava pedindo", aponta o secretário.

A Controladoria fez diversas recomendações ao Ministério da Saúde, que é responsável por financiar os remédios. O ministro, Ricardo Barros foi notificado em dezembro de 2017 sobre as constatações da auditoria.

Ricardo Barros informou que reuniu representantes de estados e municípios para encontrar soluções para o problema. Uma delas é a criação de um sistema de informática para controlar todos os estoques, além de criar um prontuário eletrônico. 

"Gostaríamos de entregar isso até o final de 2018, com todo o sistema funcionando, com toda a conectividade das unidades básicas, em todo o Brasil, mas os municípios e estados têm autonomia de gestão. Se eles atrasarem a implantação, eu não tenho como impor a eles que façam", diz o Ministro da Saúde à reportagem da TV Globo.

VERSÃO DO ESTADO

A Secretaria de Saúde do Estado de Alagoas (Sesau) informou à reportagem que apenas a compra de um dos medicamentos citados na reportagem já foi fechada. No entanto, outros remédios ainda não têm data para a conclusão das licitações. 

Agora, o Ministério da Saúde apura se houve algum desvio de remédios nos estados que passaram pela auditoria. 

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