Fé exige respeito aos imigrantes, diz papa Francisco na Missa do Galo

Papa comparou estrangeiros a Maria e José buscando um lugar em Belém

Foto: Tony Gentile/Reuters


O papa Francisco fez uma forte defesa dos imigrantes na tradicional Missa do Galo, celebrada à meia-noite do sábado para o domingo (horário local), comparando-os a Maria e José buscando um lugar para ficar em Belém e dizendo que a fé exige que estrangeiros sejam bem recebidos.

 

Celebrando o quinto Natal de seu papado, Francisco liderou a Missa solene diante de 10 mil pessoas na Basílica de São Pedro, no Vaticano, enquanto muitos outros acompanharam o cerimônia da praça do lado de fora.

 

O Evangelho lido durante a Missa recontou a história de como Maria e José tiveram de viajar de Nazaré para Belém devido ao censo ordenado pelo imperador romano César Augusto.

 

"Tantos passos estão escondidos nos passos de José e Maria. Vemos o percurso de famílias inteiras forçadas a fugir nos nossos dias. Vemos o percurso de milhões de pessoas que não escolhem fugir, mas são expulsas de sua terra e deixam para trás seus entes queridos", disse o papa na homilia.

 

Mesmo os pastores que, segundo a Bíblia, foram os primeiros a ver o Menino Jesus "foram forçados a viver às margens da sociedade" e considerados estrangeiros sujos e mal-cheirosos, disse o pontífice. "Tudo neles gerava desconfiança. Eles eram homens e mulheres a serem deixados à distância, a serem temidos".

 

Imigração no Mediterrâneo

 

"NOVA IMAGINAÇÃO SOCIAL"

 

Usando vestes brancas, o papa Francisco pediu uma "nova imaginação social em que ninguém deve ter medo de que não há lugar para eles nesta terra".

 

Francisco, 81, filho de imigrantes italianos e nascido na Argentina, tem feito da defesa de imigrantes um dos maiores faróis de seu papado, com frequência colocando-se em oposição aos líderes políticos.

 

Em sua homilia, ele afirmou: "Nosso documento de cidadania" vem de Deus, tornando o respeito aos imigrantes uma parte integral de ser cristão.

 

"Esta é a alegria que nós somos chamados hoje a compartilhar, a celebrar e proclamar. A alegria com a qual Deus, em sua infinita infinita misericórdia, abraçou nós, pagãos, pecadores e estrangeiros, e nos pede que façamos o mesmo", disse Francisco.

 

O papa também condenou os traficantes de pessoas, que fazem dinheiro dos imigrantes desesperados, dizendo que são "os Herodes de hoje", com sangue em suas mãos, em uma referência à história bíblica do rei que ordenou a matança de todos os primogênitos próximo a Belém porque temia que Jesus um dia iria destroná-lo.

 

Mais de 14 mil pessoas já morreram tentando cruzar o Mediterrâneo para chegar à Europa nos últimos quatro anos, fugindo das guerras no Oriente Médio e na África.