Famílias camponesas receberão terras das Usinas Guaxuma e Laginha, diz Iteral

Entrega de terras se dará como pagamento da dívida da massa falida das usinas em questão.

Por Luciano Ribeiro/Estagiário com Gazetaweb 16/01/2018 - 16:24 hs
Foto: José Ronaldo


Milhares de famílias camponesas serão beneficiadas com a entrega de terras como pagamento da dívida da massa falida das Usinas Guaxuma e Laginha. A confirmação partiu do diretor-presidente do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral), Jaime Silva, após uma reunião com lideranças de movimentos sociais na manhã desta terça-feira (16), na sede da autarquia. 

 

O encontro buscou discutir pleitos relacionados à reforma agrária no estado, bem como fazer a avaliação do ano passado e traçar planejamentos para 2018. Segundo o coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Alagoas, Carlos Lima, os líderes dos movimentos se reuniram no início do ano e perceberam a necessidade de procurar o Iteral.

 

A pauta de reivindicações abrange a formação e capacitação dos camponeses; fortalecimento do comércio itinerante; melhor estruturação dos assentamentos; uma representação no conselho do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep), que destina recursos para a reforma agrária; o resgate do Comitê de Conflitos Agrários de Alagoas; além da manutenção das famílias na Usina Laginha, levando em conta a crescente produção no local. 

 

"O governador já havia prometido que a dívida da massa falida seria transformada em terras e estas, entregues aos assentados. O Estado deve adquirir as terras e repassá-las às famílias a título de reforma agrária, e a área ocupada pelas famílias corresponde a 11 mil hectares", sinalizou o coordenador do CPT. 

 

 

ESTADO

 

Em resposta às reivindicações dos militantes, o diretor-presidente do Iteral, Jaime Silva, garantiu que o Governo do Estado vai repassar as terras como fruto da dívida da massa falida. No caso da Usina Guaxuma, 1.650 hectares serão entregues aos trabalhadores rurais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Movimento Via do Trabalho (MVT), dentro de 60 dias. Quanto à Laginha, ainda está sendo discutida a quantidade em hectares. 

 

"Há dois anos, o Iteral já havia entregue três propriedades para reforma agrária. Com certeza, as famílias serão beneficiadas com as terras pelo tempo em que estão no local e pelo grau de produção na área. No caso da Usina Laginha, todos os movimentos sociais serão contemplados com o recebimento da dívida", explicou o diretor-presidente. 

 

 

Na oportunidade, Jaime salientou que essa reunião acontece anualmente, para avaliar o ano anterior e discutir as próximas pautas do trabalhador do campo. Segundo o diretor, todos os pleitos devem ser atendidos pelo Estado. Um deles é a duplicação do número de feiras agrárias, de forma a evitar atravessadores, o que vai contribuir para a melhoria da situação financeira do agricultor. 

 

"O governo vem tratando a classe com uma atenção especial. É importante essa parceria com os movimentos sociais, de forma a evitar o conflito e o êxodo rural. O governo federal acabou com a reforma agrária no Brasil, mas, aqui em Alagoas, continuamos a fazer a reforma, através da delegação de poderes do governo ao Iteral. Quero ressaltar que o assento no conselho do Fecoep, a modernização do Comitê, a capacitação dos camponeses e a otimização na estrutura dos assentamentos serão atendidos", pontuou o chefe da autarquia estadual, complementando que a modernização dos assentamentos depende, também, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e a melhoria no acesso às estradas é de responsabilidade dos prefeitos.