Justiça determina prisão de atual e ex-prefeito de Campo Grande por desviar milhões

Arnaldo Higino e o sobrinho, Miguel Higino, tiveram a prisão decretada na quarta-feira

Por Edilane Almeida com Assessoria 18/01/2018 - 09:30 hs
Foto: Adailson Calheiros/Divulgação


Após pedido do Ministério Público do Estado de Alagoas  (MPE/AL), por meio da Promotoria de justiça de Girau do Ponciano e apoio investigativo do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas  (Gecoc) e do Gaesf, o ex-prefeito de Campo Grande, Miguel Higino, foi preso nesta quarta-feira (17), em um posto de combustíveis da cidade, por policiais do 3° Batalhão, em cumprimento ao mandado expedido pela juíza Renata Malafaia Vianna, daquela Comarca. Ele é acusado de desviar milhões dos cofres públicos na gestão 2013/2016.

 

O Tribunal de Justiça também determinou que Arnaldo Higino, atual prefeito da cidade, retorne à prisão.

 

Segundo o promotor de Justiça, Kleber Valadares, o ex-prefeito se utilizava da mesma prática criminosa que levou seu tio, Arnaldo Higino, à prisão.  Eles são acusados de usurpar verba publica,  utilizando um esquema de notas "esquentadas" por empresários  sem que houvesse o fornecimento real das mercadorias. O lucro para ambos sempre foi de 90%, enquanto os empresários rateavam os 10% restantes. 

 

"Eles tinham empresários certos que emitiam notas de diversos serviços, responsáveis exclusivamente por isso, para justificarem o desvio do dinheiro público. No entanto, nenhuma mercadoria, a exemplo de material  hospitalar , era entregue", ressalta o promotor. 

 

No final do mandato, conforme Valadares, mais especificamente nos dias 27 e 28 de dezembro, o ex-prefeito  teria agido absurdamente, usando o esquema com valores altos acima de cem mil reais em cada transação. As falcatruas  levaram Miguel Higino a ser afastado pela Justiça, em outubro de 2013, por tais irregularidades .

 

A  Promotoria de Girau do Ponciano tem anexada ao inquérito, em desfavor de Miguel Higino, "uma pilha de notas que comprovam os desvios. 

 

 Um dos motivos que fundamentaram a prisão de Miguel Higino foi um áudio em que ele orienta um suposto comparsa do esquema. 

 

"Ele, o Miguel, além de praticar uma série de crimes, desviar o dinheiro público, ainda deu orientações ao comparsa para evitar a prisão.  Orientava a trocar o chip do celular, a fugir da cidade, a tomar toda precaução para não ser identificado ", afirma o promotor Kleber.

 

Valadares também explica que "a família formou um comando com o intuito de dominar a região, com a prática do mesmo crime, ocupando a prefeitura de Campo Grande, tanto na gestão  do Arnaldo, como na do Miguel, quanto em Olho D'Água Grande, onde a esposa de Arnaldo era a prefeita, mas quem mandava era ele. Ainda queriam lançar a esposa do Miguel a prefeita de Craíbas ".

 

Desvios 


Os desvios de recursos  detectados pela Promotoria são referentes a merenda escolar, prestação de serviço de terraplanagem, à construção, ao Programa de Dinheiro Direto na Escola (PDDE), material de expediente, de informática e material hospitalar.

 

Diligências 

 

De acordo com o promotor Kleber Valadares, todo procedimento está sendo finalizado e a quebra do sigilo fiscal já foi deferida.

 

Na próxima semana, o Ministério Público estará formalizando a denúncia contra Miguel Higino.